Em cada fase da vida de um paciente a manutenção de um estilo de vida equilibrado requer diferentes estratégias na rotina, desde uma alimentação correta, prática regular de exercícios e, principalmente, uma boa hidratação. Nesse sentido, a escolha de uma água de qualidade para consumo diário, como a mineral, é parte fundamental das condutas, uma vez que muitos estudos já demonstraram os efeitos dos contaminantes emergentes presentes na água potável brasileira e o impacto que eles podem provocar na homeostase corporal.

É comprovado cientificamente a presença de pesticidas, ftalatos, Bisfenol A e hormônios na água do Brasil, apesar desta ser tratada do ponto de vista microbiológico. Tais contaminantes emergentes agem como disruptores endócrinos e podem ocasionar alterações fisiológicas em períodos mais críticos da vida, por exemplo na gestação, lactação e na primeira infância, onde ocorre a chamada programação metabólica que terá influência na fase adulta. Além disso, esse impacto também pode atingir outros tipos de pacientes, incluindo aqueles com risco ou portadores de doenças crônicas, como o diabetes.

Como os disruptores endócrinos da água podem interferir nas diferentes fases da vida? Consideradas substâncias químicas que interferem no sistema hormonal, os disruptores endócrinos podem alterar a forma natural de comunicação do sistema endócrino e provocar distúrbios no funcionamento das células e dos tecidos.

A gestação é um momento de diferentes mudanças hormonais, necessárias para o crescimento saudável do feto. Sendo assim, o consumo de água contaminada é um fator preocupante nesse período , uma vez que estudos mostram os efeitos da exposição de gestantes à componentes tóxicos, destacando alterações tireoidianas, distúrbios hipertensivos maternos, hipometilação do DNA no cordão umbilical, retardo no crescimento fetal e redução da idade gestacional.

Tal prejuízo clínico se estende à fase da lactação, tendo em vista que os contaminantes da água podem ser transmitidos ao leite materno, prejudicando a nutrição segura do bebê. Isso acontece por conta da afinidade dessas substâncias com a gordura encontrada no leite e pelo efeito da bioacumulação. Uma vez expostos à contaminantes pela placenta e pelo leite materno, as crianças na primeira infância podem apresentar disfunções neurocomportamentais significativas e comprometimento metabólico a longo prazo.

Para esse público infantil que normalmente apresenta baixo consumo de água, a hidratação segura deve ser priorizada, com objetivo de evitar a intensificação do risco cognitivo pela exposição à água contaminada. Alguns estudos longitudinais relacionaram essa exposição à diminuição e comprometimento da qualidade intelectual, impacto na memória e aumento do risco para desenvolvimento de transtorno de déficit de atenção e problemas comportamentais.

É preciso reforçar, ainda, que a hidratação segura deve ser monitorada não apenas nessas fases da vida, mas também em condições clínicas específicas.

Importância da hidratação segura na mulher adulta

Manter um status de hidratação adequado na rotina da mulher é essencial por conta da maior prevalência de quadros de cistite neste público. Um estudo de Hooton e colaboradores (2018) mostrou que o aumento da ingestão de água é uma estratégia eficaz para prevenir cistite recorrente em mulheres na pré-menopausa, principalmente aquelas que apresentam baixa ingestão hídrica diariamente. E a escolha segura dessa água também faz a diferença para a homeostase da saúde feminina.

A qualidade da água pode impactar no desenvolvimento de doenças e na longevidade? Em pesquisa realizada por Martinez e colaboradores (2018), os autores identificaram que um terço de adultos, incluindo brasileiros , não bebem líquidos suficientes para atingir a ingestão diária recomendada, apresentando maior risco para consequências da baixa hidratação, como desenvolvimento de doenças crônicas, com destaque ao diabetes.

Além do baixo consumo hídrico e das suas consequências também se faz necessário avaliar os riscos do consumo de água potável pelos adultos, pela presença dos contaminantes emergentes presentes nesse tipo de água.

Água mineral:segurança para diferentes aplicações clínicas

A água mineral é a forma mais segura de ingestão hídrica em todas as fases da vida. Por ser obtida de fontes naturais e subterrâneas sem nenhuma correção química e industrial, ela é mais segura do ponto de vista de contaminação por disruptores endócrinos.

Na prática clínica, pensando em pacientes atendidos em diferentes especialidades médicas e de nutrição, como o obstetra, o nutricionista materno-infantil, o pediatra, entre outros, a prescrição de água mineral é uma estratégia eficiente para assegurar a qualidade da hidratação e evitar possíveis prejuízos do consumo de contaminantes emergentes a curto e longo prazo.

REFERÊNCIAS

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